A INFLUÊNCIA DA MORTALIDADE POR CAUSAS EXTERNAS NO DESENVOLVIMENTO HUMANO NA FAIXA DE FRONTEIRA BRASILEIRA

José Marcelo de Castro
Orientador: Prof. Dr. Antonio Luiz Rodrigues Junior
Dissertação de Mestrado apresentada em 25/01/2011

A desigualdade sócio-espacial é uma característica distinta do Brasil que se expressa em diferentes formas, seja no acesso à educação, à saúde, à política ou à disponibilidade de renda e bens materiais. Estas desigualdades, muitas vezes, são determinantes para limitar as oportunidades dos indivíduos a uma vida longa, saudável e produtiva. No Brasil observa-se um elevado número de óbitos que ocorrem precocemente, reduzindo a expectativa de vida e impactando negativamente no desenvolvimento humano. Este trabalho tem como objetivo estudar o padrão de mortalidade por causas externas na região da faixa de fronteira brasileira entre os anos de 2000 e 2005, abordando o impacto no desenvolvimento humano, em relação aos determinantes geográficos, demográficos, socioeconômicos e temporais. Para a caracterização, a mortalidade foi estratificada por sexo, faixa etária e agregada em regiões e sub-regiões, utilizando o coeficiente de mortalidade geral-CMG, coeficiente de mortalidade específico e a razão de mortalidade proporcional-RPM e Anos potenciais de vida perdidos-APVP e, para a mensuração do impacto da mortalidade por causas externas no desenvolvimento humano, o valor da perda de produção bruta-VPPB e o índice de desenvolvimento humano-IDH. Materiais e Métodos. Este estudo descritivo, do tipo ecológico, considerou como unidades de informação os 588 municípios contidos na faixa de fronteira, agrupados em 3 regiões e 19 sub-regiões. Os dados referentes à mortalidade do capítulo XX do CID-10 foram obtidos no Sistema de Informações sobre Mortalidade-SIM para as causas básicas classificadas entre V01 e Y34 selecionados por municípios de residência. As populações dos municípios e projeções, em intervalos quinquenais, foram obtidas no Ministério da Saúde/DATASUS os dados referentes ao PIB municipal foram obtidos no site do IBG e relacionados aos dados não-espaciais em Sistemas de Informações geográficas-SIG para produção de representações cartográficas. Para a representação do contexto em que se insere o assunto estudado foram calculados indicadores de mortalidade e desenvolvimento. Resultados: As causas de óbitos de maior frequência foram aquelas relacionadas à violência e aos acidentes, representadas pelas agressões (armas de fogo e objetos cortantes/penetrantes), acidentes de transporte, lesões e autoprovocadas e afogamento e submersão acidental, principalmente do sexo masculino entre 20 e 49 anos. A exclusão das causas externas do calculo do IDH mostrou impacto pouco significativo na classificação das sub-regiões, porém com ganhos médios anuais referentes a longevidade chegaram a 4%5 na região Norte reduzindo-se gradativamente na direção da região sul.

PROPOSTA DE UM MODELO DE REGRESSÃO BINÁRIA COM RESPOSTA CONTÍNUA APLICADO À ANÁLISE DOS DADOS DO SINASC: IDENTIFICAÇÃO DE FATORES DE RISCO PARA O BAIXO PESO AO NASCER

Wu Zhuofan
Orientador: Prof. Dr. Edson Zangiacomi Martinez
Dissertação de Mestrado apresentada em 25/01/2011

O presente estudo tem por objetivo estudar a aplicabilidade de modelos de regressão binária com resposta contínua na análise de dados do SINASC (Sistema de Informações de Nascidos Vivos), analisando suas vantagens, limitações e estratégias na estimação de parâmetros ao identificar os fatores de riscos para baixo peso ao nascer. Muitos autores vêm utilizando os dados do SINASC para estudar as variáveis que estão associadas ao baixo peso ao nascer. Estes autores geralmente utilizam o modelo usual de regressão logística, o qual analisa somente respostas binárias (a variável resposta é codificada como 1: baixo peso ao nascer, 0: caso contrário). O modelo de regressão com resposta contínua foi utilizado para estudar as variáveis associadas aos recém-nascidos com maior propensão a um peso ao nascer inferior ao ponto de corte 2500g, ou seja, a resposta é expressa em uma variável contínua. Nesta situação, uma extensão do modelo tradicional foi utilizada visando a possibilidade de obter-se estimativas mais precisas. Para a estimação de parâmetros do modelo de regressão binária com resposta contínua, foi utilizado o método da máxima verossimilhança. Os resultados obtidos a partir da metodologia proposta possui as seguintes vantagens em relação ao modelo usual: (a) o modelo de regressão proposto foi capaz de predizer o baixo peso ao nascer com maior precisão; (b) o modelo proposto evita problemas de separação persistentes em modelos usuais. Desta forma, o modelo estudado poderá oferecer significativas contribuições à Saúde Coletiva, ao trazer uma nova possibilidade de análise de dados desta área.

MORTALIDADE PERINATAL NA REGIÃO DE RIBEIRÃO PRETO: EVOLUÇÃO, COMPLETUDE DA INFORMAÇÃO E CARACTERÍSTICAS SEGUNDO CAMPO DE SAÚDE

Denise Machado Barbuscia

Orientador: Prof. Dr. Antonio Luiz Rodrigues Filho

Dissertação de Mestrado apresentada em 26/01/2011

A mortalidade perinatal é um tema emergente na saúde da criança à medida que os óbitos de menores de um ano concentram-se nos primeiros dias de vida. O objetivo deste trabalho foi descrever a mortalidade perinatal de residentes na área de cobertura do Departamento Regional de Saúde de Ribeirão Preto (DRS XIII) segundo Colegiados: Aquífero Guarani, Horizonte Verde e Vale das Cachoeiras, no período de 2000 a 2007. Trata-se de um estudo longitudinal, descritivo e retrospectivo, com unidades ecológicas. Avaliou-se a completude dos campos da Declaração de Nascido Vivo (DN) e da Declaração de Óbito (DO), a evolução dos coeficientes de mortalidade perinatal (CMP), neonatal precoce (CMNNP) e fetal (CMF) segundo sexo, duração da gestação e Colegiados de residência do DRS XIII – Ribeirão Preto. Descreveu-se o CMNNP especifico por peso ao nascer, idade da mãe, tipo de gravidez e de parto e o CMP por causa básica de morte. As características dos óbitos foram discutidas a partir do modelo de campo de saúde nas quatro dimensões de causalidade. Verificou-se bom preenchimento da DN e elevada proporção de ausência de informação na DO, caracterizando preenchimento precário ou regular. O CMP mostrou-se elevado nos prematuros e no sexo masculino. O CMNNP foi maior nas crianças de baixo peso ao nascer e na circunstância de gravidez múltipla. Em 2004, esse indicador foi duas vezes mais elevado para filhos de mães adolescentes do que nas demais faixas etárias. Houve predomínio de óbitos devido a causas originadas no período perinatal (80%), seguido das anomalias congênitas. Entre 2000 e 2007, o CMP calculado para toda a região passou de 18,2 para 14,8 óbitos por mil nascimentos, representando redução de 18,7%. Observou-se maior diminuição do CMP e do CMF nos Colegiados Vale das Cachoeiras e Horizonte Verde. No Aquífero Guarani destacou-se maior queda do CMNNP. Concluiu-se que o CMP do DRS XIII – Ribeirão Preto diminuiu, porém de maneira diferenciado em cada Colegiado. O melhor preenchimento da DO é necessário para que se conheçam os fatores determinantes dos óbitos perinatais da região, principalmente fetais. A análise das características do óbito segundo campo de saúde demonstrou a necessidade se enfatizar ações preventivas da mortalidade perinatal relacionadas ao estilo de vida da mãe, meio ambiente em que a mãe está inserida, biologia humana e organização do serviço de saúde.

A ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA E AS INTERNAÇÕES POR CONDIÇÕES SENSÍVEIS À ATENÇÃO PRIMÁRIA

Agnes Meri Yasuda

Orientadora: Profa. Dra. Aldaísa Cassanho Forster

Dissertação de Mestrado apresentada em 10/02/2011

Introdução: A Estratégia de Saúde da Família que inicialmente era chamada de Programa de Saúde da Família, mantém sua ampliação em todo território nacional, enquanto políticas públicas para avaliação de sua efetividade, eficácia e qualidade vêm sendo institucionalizadas afim de mensurar o impacto desta nova forma de fornecer Atenção Primária (AP). As Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária são um novo instrumento para avaliação da AP e da utilização da assistência hospitalar. Objetivo: Correlacionar a cobertura da ESF nos municípios do Departamento Regional de Saúde XIII com as proporções de Internações por Condições Sensíveis a Atenção Primária. Avaliar o financiamento destas internações. Materiais e métodos: utilizamos o banco de dados do Centro de Processamento de Dados Hospitalares do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP para obter o numero de internações totais em cada cidade, o numero de ICSAP pela classificação da CID 10, nos anos de 2002 a 2007, em 25 municípios do DRS-13, assim como a fonte pagadora por estas internações. Através do DATASUS obtivemos a porcentagem de cobertura da ESF nestes anos para cada cidade. A análise consistiu em gráficos de proporções de cobertura populacional por equipes de saúde da família, proporções de internações por condições sensíveis a atenção primária no período estudado segundo os municípios da região e aplicação do coeficiente de correlação de Pearson. Resultado e conclusão: Nosso estudo encontrou uma taxa de 16% de ICSAP no DRS, com tendência a diminuir, caindo no período de seis anos do estudo, de 16,9 até 14,69%. A relação entre aumento da cobertura da ESF e diminuição da taxa de ICSAP foi encontrada em 9 cidades, pelo menos em algum dos anos estudados. Uma relação inversa, de queda da cobertura da ESF e queda das internações foi vista em 8 cidades. Quanto ao financiamento, observamos claro predomínio do SUS em 15 municípios. SUS e outras formas de medicina privada foram semelhantes em 5 cidades do departamento regional. Apenas em duas cidades, Jardinópolis e Sertãozinho os convênios e particulares contaram com a maior despesa pelas internações. Através de nosso estudo podemos inferir que existe mesmo uma relação entre a cobertura da ESF e as ICSAP, mas que esta está permeada por diversos outros fatores, e que alta cobertura não se traduz em alta qualidade, sendo necessários mais estudos, voltados para avaliação de qualidade dos serviços para que no futuro estas internações possam ser utilizadas como um indicador de saúde.

PREVALÊNCIA DAS HEPATITES B E C EM USUÁRIOS DO CENTRO DE TESTAGEM E ACONSELHAMENTO DE MARÍLIA, SP, BRASIL

Carina Rejane Fernandes Biffe

Orientador: Prof. Dr. Afonso Dinis Costa Passos

Dissertação de Mestrado apresentada em 28/02/2011

Objetivos: Estudar a ocorrência de hepatites B e C entre os usuários do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Marília/SP, caracterizar a população atendida quanto a algumas variáveis sócio-demográficas e identificar a exposição a fatores de risco conhecidos para as infecções pelo HBV e HCV.  Métodos: Foram coletadas e analisadas informações das fichas de atendimento no CTA de 1.064 usuários atendidos no período de 2003 a 2008.  Resultados: A clientela do CTA de Marília/SP foi predominantemente constituída por indivíduos do sexo masculino, jovens, solteiros, com escolaridade entre 8 e 11 anos, residentes em Marília/SP. Um elevado número de usuários (28%) relatou ter procurado bancos de sangue para realização de exames sorológicos. Observou-se presença de HBsAg em 1,1% dos  participantes, enquanto 6,5% apresentaram marcadores indicativos de infecção pelo HBV, pregressa ou atual. O Anti-HCV esteve presente em 2,6% dos participantes, principalmente entre usuários de drogas injetáveis, entre os que compartilhavam seringas/agulhas e nos que relataram antecedentes de confinamento em prisões. Conclusões: Os resultados deste estudo são importantes para a avaliação do serviço e para o direcionamento das políticas públicas de saúde municipais visando o atendimento dos grupos mais vulneráveis às doenças transmissíveis.

HÁBITOS DE ATIVIDADE FÍSICA EM ESCOLARES, INDICADORES SOCIOECONÔMICOS E A PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA DOS PAIS NO MUNICÍPIO DE RIBEIRÃO PRETO-SP

Ricardo Luis dos Reis Santos
Orientador: Prof. Dr. Amaury Lelis Dal Fabbro
Dissertação de Mestrado apresentada em 26/04/2011
A prática de atividade física de crianças tem diminuído, devido à disponibilidade de tecnologia, aumento da violência e redução de oportunidades de lazer fisicamente ativo. A atividade física na criança promove benefícios para o seu estado de saúde. A prática de atividade física pode ser influenciada por múltiplos fatores, como a prática de atividade física dos pais, suporte social e aspectos socioeconômicos. Esta pesquisa tem como objetivo investigar os hábitos de atividade física de escolares de 7 a 12 anos de idade, matriculados nas escolas públicas e particulares de Ribeirão Preto – SP, verificando a associação com indicadores socioeconômicos e a prática de atividade física dos pais. Trata-se de estudo transversal com amostra de 380 escolares de 7 a 12 anos de idade, de 13 escolas municipais, estaduais e particulares do município de Ribeirão Preto – SP. Para o cálculo da amostra utilizou-se software Epi Info 6 para DOS. Para o estudo foi considerado intervalo de confiança (IC) de 95%, freqüência esperada de 50% e erro amostral de 5%. A investigação dos hábitos de atividade física dos escolares e dos pais foi a partir de questionários disponíveis: IPAQ, PAQ-C, DAFA. A investigação dos indicadores socioeconômicos também será feita a partir de questionários, CCEB-ABEP, dados sociodemográficos e socioeconômicos. A análise e apresentação dos resultados foram realizadas com auxílio de estatística descritiva, testes de associação (Exato de Fisher) e comparação entre as variáveis, e discussão com base na literatura. Para tanto, utilizou-se Excel e Stata10. Ocorreu associação entre o nível de atividade física de escolares e de suas mães. Não houve associação entre o nível de atividade física dos escolares e os indicadores socioeconômicos da família. Houve associação do nível de atividade física dos escolares com o incentivo e o suporte logístico, dado pelos familiares. O tempo gasto pelos escolares assistindo televisão foi de 1 a 2 horas (29%). Quanto ao hábito de dormir durante o dia, 72% (n = 140) dos escolares não possui esse hábito. Fora do horário escolar, as crianças (n = 141) tendem a brincar mais no quintal de casa (45%), seguido de brincar dentro de casa (28%) e na rua (18%). A prática de algum esporte além das aulas de educação física foi de 44% (n = 140). Nos momentos de lazer, os escolares (n = 122) gostam mais de assistir TV e jogar vídeo game (29%), jogar bola (24%) e andar de bicicleta ou patins (14%). A prática de atividade física e seus benefícios estão bem documentadas na literatura, mas ainda, estudos sobre o comportamento de crianças e adolescentes em relação a ela está sendo estudo e documentado. Além disso, a influência de pais, de fatores socioeconômicos e do próprio ambiente em que a criança vive e se relaciona, está presente nos hábitos desses escolares, de uma forma ou outra. O suporte social, estudado nesta pesquisa, foi relevante no nível da prática de atividade física dos escolares, denotando o papel fundamental de pais, outros familiares e professores. Justificam-se políticas públicas de incentivo à prática de atividade física nos bairros e nos grandes centros, aproveitando os espaços para realizar atividade física em família ou em grupos, o que se acredita fortalecer e aumentar a prática.

RECURSOS E NECESSIDADES DE PROFISSIONAIS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA PARA LIDAR COM QUESTÕES RELACIONADAS À SAÚDE MENTAL

Mariana de Oliveira Pasqualin Ribeiro

Orientadora: Profa. Dra. Maria do Carmo Gullaci Guimarães Caccia Bava

Dissertação de Mestrado apresentada em 12/08/2011

Um dos pilares da política de Atenção Básica do Sistema Único de Saúde (SUS), a Estratégia Saúde da Família (ESF), realiza em equipe, assistência descentralizada nos territórios adscritos e deve conseguir resolver a maioria das demandas em saúde, parte delas advinda da saúde mental. Nesta estratégia, a formação de vínculos positivos e o lidar com o sofrimento humano de forma sistemática representam grandes desafios, que podem ser exacerbados em se tratando de pessoas em sofrimento mental. Foi a partir deste contexto que este trabalho definiu como objetivo produzir sentidos sobre os recursos e necessidades para lidar com questões relacionadas à Saúde Mental com trabalhadores da ESF, do Município de Serra Azul, Estado de São Paulo. O referencial metodológico qualitativo foi utilizado para a análise dos dados a partir do construcionismo social e como instrumento de coleta foi utilizado o recurso do Grupo Focal. Participaram deste estudo os profissionais das duas unidades de saúde da família do Município de Serra Azul. A análise das entrevistas teve início com a transcrição e edição do material gravado. Posteriormente, a pesquisadora realizou uma pré-análise, que consistiu na leitura exaustiva das entrevistas e a imersão em seus conteúdos. Nesta fase, optou-se pela análise de apenas uma das entrevistas realizadas, a que pareceu a mais rica e fértil para os objetivos do presente estudo. A análise (composta pela apresentação dos resultados e da discussão) apontou a construção de sentidos pela equipe de necessidades e recursos existentes no cuidado aos pacientes com problemas de saúde mental. As necessidades descritas foram divididas em três subtemas, que são a falta de estruturas no Município para acolher estes pacientes fora das unidades de saúde, a falta de recursos dos pacientes atendidos e a falta de capacitação e preparo da equipe para este tipo de cuidado. Outro tema apresentado como resultado da análise foi os recursos existentes e não reconhecidos pela equipe para o cuidado a esses pacientes. Foi possível perceber que a criação de espaços de conversa onde estas equipes possam reconhecer seus recursos, trabalhar suas ansiedades e dar novas descrições para suas ações podem contribuir para melhorar o atendimento em saúde mental na Atenção Básica.

PADRÕES ESPAÇO-TEMPORAIS DA INCIDÊNCIA DA TUBERCULOSE EM RIBEIRÃO PRETO: USO DE UM MODELO AUTO-REGRESSIVO CONDICIONAL

Daiane Leite da Roza

Orientador: Prof. Dr. Edson Zangiacomi Martinez

Dissertação de Mestrado apresentada em 24/08/2011

Neste trabalho foram utilizados modelos de regressão espaço-temporais bayesianos para estimar a incidência de TB em Ribeirão Preto (anos de 2006 a 2009) por área de abrangência de unidades de saúde, associando-a a covariáveis de interesse (IPVS, Renda e Educação predominantes naquelas áreas). O método baseia-se em simulações MCMC para estimar as distribuições a posteriori das incidências de TB em Ribeirão Preto. Como resultado, temos mapas que mostram mais claramente um padrão espacial, com estimativas mais suavizadas e com menos flutuações aleatórias. Observamos que as áreas com as mais altas taxas de incidência também possuem índice de vulnerabilidade social médio e alto. Em relação à renda, a faixa salarial predominante dos responsáveis pelo domicílio nestas regiões é entre 0 e 3 salários mínimos e o nível de escolaridade predominante dos chefes do domicílio nestas regiões é o ensino fundamental. Os resultados dos modelos bayesianos analisados nos evidenciam que com o aumento da vulnerabilidade social aumentamos significativamente a incidência de TB em Ribeirão Preto. Nas áreas onde a vulnerabilidade é alta a incidência de TB chega a quase 15 vezes a incidência das áreas sem vulnerabilidade. Houve um aumento significativo em relação à incidência de tuberculose em Ribeirão Preto durante os anos estudados, sendo as maiores incidências registradas no ano de 2009. O uso de mapas facilitou a visualização de áreas que merecem uma atenção especial no controle da TB, além disso, a associação da doença com renda, escolaridade e vulnerabilidade social trazem subsídios para que os gestores responsáveis pelo planejamento do município planejem intervenções com uma atenção especial a estas áreas, reunindo esforços para a redução da pobreza e da desigualdade social, alternativas para uma melhor distribuição de renda e melhorar o acesso ao saneamento básico dentre outras prioridades.

PERCEPÇÕES DE MÉDICOS E ENFERMEIROS ACERCA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: UMA ANÁLISE COMPARATIVA

Mariana Hasse

Orientadora: Profa. Dra. Elisabeth Meloni Vieira

Dissertação de Mestrado apresentada em 30/08/2011

Este trabalho foi desenvolvido como subprojeto integrante da pesquisa “A Interface Entre a Ocorrência e o Atendimento de Violência de Gênero Entre Mulheres Usuárias dos Serviços de Saúde da Rede Pública de Ribeirão Preto”. A violência contra a mulher é uma das expressões mais perversas da subordinação feminina e gera graves consequências para as pessoas que vivenciam o seu ciclo. Mulheres nessa situação buscam frequentemente os serviços de saúde, que possuem um alto poder de detecção da violência. Porém, há uma série de dificuldades por parte dos profissionais, médicos e enfermeiros, em identificar e prestar assistência adequada a essas mulheres. O objetivo deste estudo foi analisar comparativamente as percepções de médicos e enfermeiros que atuam na rede de saúde de Ribeirão Preto acerca da violência contra a mulher buscando formas de aprimorar a assistência prestada. Para isso, realizamos uma pesquisa qualitativa,  utilizando um banco de dados de 14 entrevistas com médicos e 10 com enfermeiros, realizadas por meio de um roteiro semiestruturado. Por meio de análise de conteúdo temático foram identificadas as seguintes categorias: 1) Percepções sobre gênero; 2) Percepções sobre a violência contra a mulher; 3) Sobre atuação profissional; e 4) Sobre a rede de proteção. Tais categorias foram divididas em diversas subcategorias que foram analisadas a partir do referencial de gênero. Os resultados mostraram que há muitas semelhanças nas percepções relativas às questões de gênero, que são ainda bastante tradicionais. Os profissionais entendem que a violência contra a mulher ocorre devido às desigualdades perpetuadas pelo sistema social e que acabam por justificar a violência. Eles reconhecem os tipos de violência existentes e estão aptos a identificar e acolher as mulheres nos serviços de saúde, reconhecendo tais ações como suas responsabilidades. Porém, muitas vezes não o fazem por barreiras como a própria estrutura dos serviços, a falta de capacitação e aspectos emocionais, que dificultam o acolhimento e a orientação adequados. Também identificamos que a rede de apoio existente ainda é desconhecida por muitos dos profissionais e, diversas vezes, está estruturada de forma inadequada para atender às demandas existentes. Assim, é fundamental o desenvolvimento de capacitações para os profissionais da área de saúde com o objetivo de prepará-los para uma melhor assistência às mulheres em situação de violência e para o conhecimento da rede de proteção existente. Além disso, é urgente que a estrutura dos serviços seja repensada em diversos aspectos para que os princípios do SUS e as ações de humanização possam, de fato, ser colocadas em prática

ACIDENTES E DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO NA INDÚSTRIA DE CALÇADOS DE FRANCA-SP

Dathiê de Mello Franco-Benatti

Orientadora: Profa. Dra. Vera Lucia Navarro

Dissertação de Mestrado apresentada em 02/09/2011

O mundo do trabalho vive um extraordinário avanço tecnológico caracterizado pela introdução de modernas tecnologias, automação acelerada, que resultam em novas formas de racionalização e organização do trabalho e no aumento da exploração intensiva da força de trabalho. Esse processo foi marcado pela reestruturação produtiva, que resultou em maior intensificação e precarização do trabalho, fatos que refletiram nas relações e nas condições laborais. O setor calçadista, conhecido pela grande capacidade de geração de empregos, também foi atingido por essas mudanças, com consequentes agravos à saúde de seus trabalhadores. Tendo como pano de fundo este quadro de transformações, foi objetivo da pesquisa investigar como se acidentam e adoecem no trabalho os trabalhadores envolvidos na produção de calçados em Franca (SP) e como isto repercute em suas vidas, dentro e fora do espaço produtivo. A pesquisa, de cunho qualitativo, teve como principal técnica de coleta de dados a entrevista. Foram entrevistados 20 trabalhadores, 15 mulheres e cinco homens; um profissional da área da saúde e dois representantes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Franca. Os trabalhadores entrevistados foram contatados através do sindicato da categoria, que também forneceu as Comunicações de Acidentes de Trabalho (CATs) utilizadas como fonte de informações. Os resultados demonstraram que o trabalho na produção de calçados tem sido fonte de agravos à saúde dos trabalhadores. Os dados obtidos pela pesquisa permitiram relacionar os acidentes e doenças apresentados pelos trabalhadores à organização e às condições do trabalho às quais estão submetidos. As principais queixas foram: LER – lesões por esforços repetitivos, ferimentos corto-contusos, amputações de membros superiores (mãos, dedos, antebraços e braços), dores lombares, estresse, depressão, ansiedade, tristeza, angústia, além de terem se referido a sentimentos de insatisfação e desvalorização no trabalho. Os dados revelaram também como os episódios de acidentes e doenças ocupacionais repercutiram na vida dos trabalhadores. A violência sofrida pelos trabalhadores não se resumiu apenas ao acidente em si e às circunstâncias em que ocorreu, mas se estendeu pelo longo processo de tratamento e pela trajetória institucional percorrida para estabelecer o nexo entre o acidente e/ou doença e o seu trabalho.

GEOEPIDEMIOLOGIA DA DENGUE NO MUNICÍPIO DE ALFENAS, MG

Murilo César do Nascimento

Orientador: Prof. Dr. Antonio Luiz Rodrigues Junior

Dissertação de Mestrado apresentada em 21/10/2011

A incidência de dengue no Município de Alfenas – MG foi estudada, entre os anos de 2001 e 2010, por meio de estudo transversal, utilizando variáveis referentes à pessoa, tempo e lugar dos casos autóctones de dengue, cujas informações foram obtidas no Sinan; as variáveis socioeconômicas foram disponibilizadas pelo IBGE e dados cartográficos foram cedidos pela Prefeitura Municipal. Na análise descritiva utilizou-se a análise multivariada e a análise espacial para descrever o perfil epidemiológico dos casos e a distribuição espacial das residências segundo bairros urbanos, áreas do Programa Saúde da Família e setores censitários de agrupamentos socioeconômicos distintos. Observou-se uma heterogeneidade da distribuição espacial dos casos e a ausência de padrão das densidades espaciais. Os principais aglomerados de casos foram identificados em áreas descobertas pela Estratégia Saúde da Família, apesar de as distribuições de frequência terem sido semelhantes nos extratos socioeconômicos; tais características podem estar associadas à dinâmica da circulação viral na localidade, considerando-se a mobilidade interna e o fluxo humano, além da atuação gradativa das Equipes de Saúde da Família no Município.

A CONCEPÇÃO DE PROFESSORES SOBRE SAÚDE NA ESCOLA

Maisa Resende de Melo Ferraro

Orientador: Prof. Dr. Antonio Carlos Carvalho Duarte

Dissertação de Mestrado apresentada em 25/10/2011

O atual momento histórico aponta para uma reflexão acerca da escola e sua relação com a saúde dos escolares. Ao assumir uma visão bem mais alargada do que a da tradicional transmissão de conhecimentos, a escola torna-se o local de excelência para o desenvolvimento de atividades no âmbito da promoção da saúde, uma vez que as crianças despendem ali muitos anos de seu período de desenvolvimento físico, cognitivo e de formação pessoal e social. Nessa perspectiva, o professor exerce uma influência constante e ativa sobre os conceitos de saúde e doença dos seus alunos e pode estimulá-los à compreensão e adoção de hábitos saudáveis, podendo assim proteger a saúde dos escolares e até de seus familiares. O presente estudo tem como objetivo conhecer qual a concepção sobre Saúde na Escola de professores das escolas públicas estaduais inseridas no Projeto “Saúde e Prevenção nas Escolas” da cidade de Franca. Para tanto, foram selecionadas oito escolas em diferentes regiões de modo a representar todas as regiões da cidade. A pesquisa fundamentou-se na metodologia qualitativa e utilizou-se como principal técnica de coleta de dados a entrevista semi-estruturada. Foram entrevistados 15 professores. Para se encerrar as entrevistas, utilizou-se saturação dos dados. O estudo permitiu observar que, embora os professores apresentem conceitos sobre saúde, alguns mais ampliados, outros mais reduzidos, eles não estão bem preparados para atuarem em educação em saúde. Assim, este trabalho na escola ainda é um desafio, uma vez que a grande maioria dos profissionais da educação, apesar de bem intencionados, apresentam pouca formação em saúde, estando pouco preparados para atuarem como agentes de Promoção da Saúde na Escola.

HIPERTENSÃO ARTERIAL ENTRE IDOSOS: PERCEPÇÃO DA MORBIDADE E FATORES ASSOCIADOS AO TRATAMENTO

Patrícia Gonçalves de Oliveira

Orientador: Prof. Dr. Jair Licio Ferreira Santos

Dissertação de Mestrado apresentada em 25/10/2011

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma doença de evolução clínica lenta e de caráter assintomático, que se associa frequentemente a alterações funcionais e estruturais dos órgãos-alvo e a alterações metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares. A HAS é a doença que mais se destaca em idosos no Brasil, com proporções em torno de 50% e, na população adulta, estima-se prevalência em torno de 20%. Modificações de hábitos de vida são eficazes na prevenção e no controle da HAS, com melhora da eficácia anti-hipertensiva e diminuição do risco cardiovascular associado. O caráter assintomático faz com que os indivíduos com HAS apresentem dificuldades de adesão ao tratamento. O diagnóstico da HAS e seu tratamento são grandes desafios para o conhecimento do impacto da doença sobre a vida do paciente. O objetivo do estudo foi estimar a prevalência da HAS em idosos do município de Jaborandi/SP e avaliar fatores sociodemográficos, clínicos, a atividade física e a qualidade de vida (QV). Trata-se de um estudo descritivo transversal do tipo inquérito que utilizou como instrumentos os questionários: Mini-Exame do Estado Mental; Demográfico, socioeconômico e clínico; Baecke modificado para idosos; e QV específica para hipertensos. As variáveis foram analisadas pelo Teste Exato de Fisher, considerando significativo p< 0,05. Foram avaliados 82 idosos: 48 mulheres (58,54%) e 34 homens (41,46%), com predomínio do grupo etário 60-69 anos (45,12%), de cor branca (84,14%), com baixa escolaridade (média de 3,01 anos de estudo), baixa renda: classe D (54,88%) e classe E (31,71%) e com 82,93% dos idosos aposentados. A prevalência da HAS foi de 75,60% (77,08% para mulheres e 73,53% para homens). Apresentaram associação significativa as variáveis: HAS por Circunferência da cintura (0,011), por Classificação da pressão arterial (PA) (<0,001), por Plano privado de saúde (0,03); QV por Saúde mental ruim em 30 dias (0,032), por Alcoolismo (0,023), por Tabagismo (0,005) e por Número de medicamentos em uso em 3 meses (0,018). Os resultados indicaram que a educação em saúde é imprescindível para que o paciente, sendo instruído sobre os princípios em que se fundamenta o tratamento, consiga exercer o controle adequado da PA, visando melhor qualidade de vida.

FATORES ASSOCIADOS A PNEUMONIAS ADQUIRIDAS NA COMUNIDADE, EM CRIANÇAS DE 6 MESES A 13 ANOS DE IDADE HOSPITALIZADAS

Fabiana Jorge Bueno Galdino Barsam

Orientador: Prof. Dr. Altacilio Aparecido Nunes

Dissertação de Mestrado apresentada em 27/10/2011

Segundo a Organização Mundial de Saúde, as pneumonias adquiridas na comunidade são a principal causa de morte infantil, sendo responsáveis por 20% das mortes em crianças menores de 5 anos de idade, com tendência de aumento a cada ano. Nos países em desenvolvimento, as pneumonias da infância adquiridas na comunidade são consideradas um grave problema de saúde pública, requerendo-se a necessidade de implantar estratégias efetivas para o reconhecimento dos fatores de risco associados, objetivando intervenções efetivas sobre os mesmos. Objetivos: Avaliar a influência dos fatores socioeconômicos, ambientais e do aleitamento materno na ocorrência de pneumonia em crianças maiores de 6 meses de idade, internadas em um hospital infantil. Metodologia: estudo caso-controle em crianças de 6 meses a 13 anos internadas num hospital infantil no município de Uberaba-MG, no período de outubro de 2010 a abril de 2011. Foram descritas as características epidemiológicas e sócio demográficas relacionadas às internações e realizadas comparações entre as diversas variáveis. Realizou-se análise multivariada, para determinar as variáveis preditoras de internação por pneumonia, através de regressão logística. Principais resultados:  foram selecionadas 252 crianças, sendo 126 casos e 126 controles dos quais, 49,6% eram do sexo masculino com predomínio destes no grupo de casos (53,9%). Ao comparar os valores de tendência central das variáveis contínuas entre os dois grupos, observaram-se diferenças significativas [p<0,05] respectivamente entre casos e controles na idade, peso, altura, níveis de hemoglobina, contagem de leucócitos totais, bastonetes, níveis de Proteína C Reativa e idade materna. Ao verificar as associações entre as variáveis independentes e a variável-resposta (presença de pneumonia), na análise multivariada por regressão logística, as seguintes variáveis mostraram-se associadas ao desfecho: amamentação >3meses (OR 0,14;[IC95%:0,06-0,30]), a ausência de comorbidades(OR 0,26; [IC95%:0,07- 0,90]), a escolaridade materna cinco anos (OR0,21;[IC95%:0,07-0,60]), intercorrências no pré-natal (OR2,60;IC95%:1,11- 6,40]), ordem de nascimento da criança [≥2º] (OR 2,90;[IC95%:1,50-6,70]) e ausência de tabagista no quarto (OR0,36; [IC95%: 0,13-0,95]). Conclusão: os achados deste estudo concordam em geral com a literatura brasileira e mundial e certamente contribuem favoravelmente para atuação mais efetiva sobre os fatores de risco relacionados com o processo da doença em questão.

PERFIL DA ATENÇÃO SECUNDÁRIA NO ÂMBITO DA POLÍTICA DE SAÚDE BUCAL, NO COLEGIADO DE GESTÃO REGIONAL DE JAÚ (CGR – JAÚ) – SP

Adriana Maria Fuzer Grael Tinós

Orientador: Prof. Dr. Antonio Luiz Rodrigues Junior

Dissertação de Mestrado apresentada em 18/11/2011

Nas últimas décadas, houve uma redução significativa da cárie dentária na população infantil; porém, os índices de doenças bucais nos demais grupos populacionais permanecem altos. Na perspectiva de favorecer o acesso de todas as faixas etárias aos serviços de saúde bucal, em todos os níveis de atenção, foi criada, em 2004, a Política Nacional de Saúde Bucal (Brasil Sorridente), tendo como uma das principais frentes de atuação os Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), que oferecem à população os serviços de atenção secundária. Este estudo descritivo, do tipo levantamento, teve como objetivo descrever o perfil da atenção secundária em saúde bucal, oferecida pelos CEOs pertencentes ao espaço geográfico do Colegiado de Gestão Regional de Jaú (CGR-Jaú), localizados nos municípios paulistas de Bariri e Jaú, no período compreendido entre o início das atividades dessas Unidades e 31 de dezembro de 2009. Foram utilizados dados referentes à infra-estruturar e às características dos serviços: i) tipo de CEO; ii) presença de Laboratório Regional de Prótese Dentária (LRPD); iii) especialidades oferecidas; iv) origem dos encaminhamentos (no tocante ao nível de atenção); v) frequências de atendimento em cada especialidade; vi) situação dos tratamentos requisitados (se concluídos, não concluídos ou não realizados), e vii) tempo de duração dos tratamentos. Também se levaram em conta os dados relativos às características demográficas dos usuários – local de origem, sexo, idade – e ao fluxo desses usuários, no que tange a origem e destino. A obtenção desses dados deu-se por meio da revisão da totalidade dos prontuários de pacientes atendidos nesses CEOs e de consulta aos bancos de dados do Ministério da Saúde. Os CEOs do CGR-Jaú oferecem as especialidades mínimas exigidas para sua implantação, além da especialidade Prótese. Verificou-se que esses CEOs apresentaram predominância de usuários do sexo feminino. As maiores frequências de atendimento foram encontradas nas especialidades Prótese (30,3%) e Cirurgia (35,2%), nos CEOs de Bariri e Jaú, respectivamente. Observou-se ainda, no período objeto do estudo, que os municípios do CGR-Jaú, que possuem CEOs instalados, absorvem a grande maioria dos atendimentos, sendo 98,9% para o CEO-Bariri e 72,99% para o CEO-Jaú. Os reduzidos fluxos, em nível intermunicipal, sugerem a realização, por parte dos gestores de saúde que compõem este Colegiado, de revisão do Plano Diretor de Regionalização (PDR), o qual se constitui no instrumento utilizado para estabelecimento desses fluxos, bem como de avaliação da possibilidade de oferta desses serviços em nível municipal. Tais procedimentos fazem-se necessários, visando ao suprimento das demandas locais e garantindo, assim, o cumprimento de um dos princípios mais relevantes do Sistema Único de Saúde (SUS): a integralidade da atenção.

A ESPIRITUALIDADE E AS ATITUDES DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS SOBRE A DOAÇÃO DE SANGUE

Rodrigo Guimarães dos Santos Almeida

Orientador: Prof. Dr. Edson Zangiacomi Martinez

Dissertação de Mestrado apresentada em 21/11/2011

A transfusão sanguínea ou de componentes derivados é a base da hemoterapia moderna, pois permite sanar deficiências específicas e evita a exposição do receptor a componentes a ele desnecessários. Para possibilitar uma transfusão sanguínea é necessária uma doação de sangue. Nos dias atuais, a falta constante de doações de sangue pode ser caracterizada como um problema de saúde pública e que leva a uma constante busca de doadores jovens e saudáveis, dentre os quais se encaixam os estudantes universitários. Regulamenta as leis que a doação de sangue deve ser voluntária, anônima, altruísta e direta ou indiretamente não remunerada. Uma vez que o altruísmo é um dos princípios da espiritualidade esse estudo teve como objetivo verificar a associação entre a espiritualidade e a adesão ou intenção de realizar doação de sangue, entre uma população de universitários. Trata-se de um estudo quantitativo de delineamento transversal no qual participaram 281 universitários do programa de pós-graduação da Faculdade de Medina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Após autorização do Comitê de Ética em Pesquisa da FMRP-USP (Parecer HCFMRP-USP 8508/2010), os dados foram coletados através de um questionário para caracterização sócio-demográfica e identificação da prática da doação de sangue e da Escala de Bem Estar Espiritual (EBE). A EBE é constituída de 20 itens, dos quais 10 avaliam o bem-estar religioso (BER) e 10 o bem-estar existencial (BEE). Os dados foram agrupados e analisados por estatística descritiva e testes paramétricos. Entre os participantes, 206 (74%) eram de sexo feminino e 75 (26%) do sexo masculino, dos quais 210 (75,3%) responderam já ter realizado uma doação de sangue e/ou mencionaram intenção de praticar esse ato, 40 (14,3%) doam sangue periodicamente, 17 (6,1%) nunca doaram sangue e nem pretendem doar um dia, 12 (4,3%) nunca doaram sangue e nunca pensaram nessa possibilidade e 5 (1,8%) já realizaram um ato de doação e não pretendem retornar. Quanto ao bem estar espiritual, foram encontradas associações nos indivíduos que acreditam em Deus e baixa associação entre os indivíduos que se consideram agnósticos ou ateus. Quanto ao bem estar religioso existe maior associação nos indivíduos de religiões cristãs. Não existe associação entre o bem estar existencial e segmento religioso dos participantes. Os participantes que doaram sangue, que pretendem retornar para novas doações e que realizam a doação periodicamente ou que tendem a se tornar doadores de sangue, possuem familiares que já realizam a prática de doar e sangue e conversam com seus amigos sobre a importância do assunto. A maioria dos entrevistados se sentem livres a realizar e praticar suas crenças e convicções e possuem amigos próximos que por algum motivo desaprovam a doação de sangue. Não há evidências de associação entre bem-estar espiritual, religioso, existencial e doação de sangue. Conclui-se que na amostra de estudantes universitários estudada não existe associação entre espiritualidade e doação de sangue, mas que existe associação entre bem-estar espiritual e o sexo. Para que haja ações que levem a um aumento da doação de sangue é necessário maiores investigações sobre o assunto.

O CONHECIMENTO AUTORREFERIDO DOS ENFERMEIROS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA SOBRE O SISTEMA DE INFORMAÇÃO DA ATENÇÃO BÁSICA

Priscila Mina Galati

Orientadora: Profa. Dra. Aldaísa Cassanho Forster

Dissertação de Mestrado apresentada em 09/12/2011

No Brasil, a reorganização da Atenção Básica (AB) vem sendo realizada por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), constituindo-se como porta de entrada aos serviços de saúde em conformidade com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Na referida estratégia o enfermeiro desempenha ações assistenciais e gerenciais e para qual o Sistema de Informação de Atenção Básica (SIAB) deve ser constituído como ferramenta primordial no processo de trabalho das equipes. Neste contexto, o estudo propôs-se a identificar o conhecimento autorreferido dos enfermeiros da ESF sobre o SIAB e sua utilização. Para tal, realizou-se um estudo descritivo de analise quantitativa. A amostra constitui-se de 39 enfermeiros da ESF pertencentes aos 26 municípios do Departamento Regional de Saúde (DRS)XIII-Ribeirão Preto. No estudo foi identificado, em relação ao perfil dos profissionais que 97% eram do sexo feminino, 57% estavam entre a faixa etária de 20 a 39 anos , 49% possuíam menos de 2 anos nas equipes e 70% não possuíam especialização em saúde da família ou saúde coletiva. O manejo do SIAB era feito por 92 % dos enfermeiros, sendo 64% desses sem treinamento para sua utilização. Quanto ao conhecimento do sistema, foi identificado que 85% dos profissionais conheciam as suas fichas de coleta e consolidado de dados, e 72% referiam analisa-las antes de sua inserção no mesmo. As finalidades do manejo do SIAB pelos enfermeiros focaram-se em 28% para a alimentação mensal dos dados, 17% para as ações de avaliação, 19% para as ações de monitoramento. De forma que 50% dos profissionais consideraram-no como instrumento de avaliação e monitoramento. Outro apontamento do estudo foi que 62% das equipes não receberam devolutiva dos gestores em relação aos dados produzidos por elas e quando havia algum retorno era por parte da gestão municipal. A falta de devolutiva dos dados, segundo os profissionais, foi apontada em 33% pela falta de conhecimento dos gestores para as ações de monitoramento e avaliação, e 21% pela vinculação do sistema, apenas, ao incentivo financeiro do governo federal. A falta de devolutiva foi associada por 16% dos profissionais como uma das principais dificuldades em relação ao sistema, seguido de 15% pela falta de equipamentos adequados na área de informática, 14% pela deficiência de indicadores gerados pelo sistema e 13% pela falta de conhecimento em relação ao sistema. Neste estudo, mesmo com as limitações apontadas pelos profissionais em relação ao sistema, identificou-se que o SIAB foi visto como um instrumento importante nas ações de planejamento, monitoramento e avaliação, porem falta-lhes capacitação para que suas potencialidades possam ser exploradas, onde a utilização do sistema na rotina desses profissionais, enquanto ferramenta de trabalho, possa modificar e qualificar as praticas em saúde, sendo considerado um grande desafio para as equipes e gestores municipais. As fragilidades encontradas neste estudo refletem a necessidade de mudanças de praticas assistenciais e gestoras, de forma que estas sejam importantes para a consolidação da ESF enquanto modelo de reorganização do sistema de saúde. Todavia o estudo trouxe a possibilidade de identificar opiniões, atitudes explicitas e conscientes do processo de trabalho dos enfermeiros, levantando dados concretos relacionados a utilização do SIAB, de forma que os resultados refletiram em informações valiosas e poderão ser comparados ao longo do tempo, viabilizando uma visão evolutiva da utilização desse sistema. Conclui-se com o estudo que os enfermeiros são os profissionais diretamente envolvidos com o SIAB, porem falta-lhes a capacitação necessária para explorar suas potencialidades, indicando a educação permanente como fator importante nesse processo; e ao referirem as suas  dificuldades com o sistema, apontaram limitações técnicas e gestoras para a concretização de praticas eficientes no cotidiano das equipes de Saúde da Família.

PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS E FATORES AMBIENTAIS: UMA ANÁLISE BAYESIANA PARA DADOS DE RIBEIRÃO PRETO

Estela Cristina Carnesca

Orientador: Prof. Dr. Jorge Alberto Achcar

Dissertação de Mestrado apresentada em 16/12/2011

Estudos envolvendo o meio ambiente estão sendo cada vez mais desenvolvidos devido ao fato dos níveis de poluição e das mudanças climáticas estarem causando a degradação da qualidade do ar e dos reservatórios de água de maneira alarmante nos últimos anos, comprometendo sobretudo, a qualidade de vida do ser humano. Dado que estes fatores são preponderantes nos agravos e complicações respiratórias dos indivíduos, buscou-se compreender com este estudo a relação entre as condições atmosféricas e os problemas respiratórios nos residentes do município de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, onde há um elevado número de focos de queimadas nos períodos de estiagem e, consequentemente, altas concentrações de poluentes, como o material particulado. Considerando os dados mensais de contagem de inalações/nebulizações, foram assumidos diferentes modelos de regressão de Poisson na presença de um fator aleatório que captura a variabilidade extra-Poisson entre as contagens. A análise dos dados foi feita sob enfoque Bayesiano, utilizando métodos de simulação MCMC (Monte Carlo em Cadeias de Markov) para obter os sumários a posteriori de interesse.