CARACTERIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA SEXUAL EM MULHERES NA CIDADE DE RIBEIRÃO PRETO – SP

Cesário da Silva Souza
Orientadora: Profª.Drª. Elisabeth Meloni Vieira
Dissertação de Mestrado apresentada em 08/03/2012

A violência contra a mulher é fenômeno universal que atinge todas as classes sociais, etnias, religiões e culturas, ocorrendo em populações de diferentes níveis de desenvolvimento econômico e social. As mulheres que sofrem violência física perpetrada por parceiros íntimos também estão sob risco da violência sexual, indicando uma relação entre a violência física e psicológica. No Brasil, o tema ainda é pouco estudado; existem poucos dados confiáveis da violência sexual no país. A notificação, ponto de partida para a investigação, é muito inferior ao número de agressões que acorrem pelo fato de que muitas vítimas evitam a exposição pública. Mediante esse cenário, o estudo teve como objetivo principal caracterizar o perfil epidemiológico dos casos de violência sexual contra mulheres com idade igual ou superior a 14 anos, registrados na Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto – SP. Trata-se de um estudo de caráter descritivo tipo levantamento, no período de 2006 a 2008. Foram consideradas 245 notificações as quais indicaram que 71,84% dos casos registrados eram de mulheres abaixo dos 30 anos, brancas (62,4%), solteiras (68,6%), com um nível educacional baixo (59,2%) e sem nenhuma deficiência descrita (84,9%). O agressor, na maioria dos casos, foi classificado como desconhecido (43,3%), o estupro foi o agravo mais acometido (69%), sendo a residência (33,5%) o local mais frequente em que aconteceu a violência. Sabe-se que à violência sexual, na maioria das vezes, está associada a alguma outra. O presente estudo descreve que 67,8% dos casos registrados apresentavam a violência física associada, com valores similares à violência psicológica que representou 62% dos casos. Em 68% dos casos notificados foram encaminhados para Ambulatório. Como conclusão, o estudo teve como propósito contribuir como mais um instrumento no combate a violência sexual, mediante sua relevância para a Saúde Pública.

CARACTERIZAÇÃO DE CASOS DE VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NOTIFICADOS NO MUNICÍPIO DE RIBEIRÃO PRETO-SP

Marilurdes Silva Farias

Orientadora: Profa. Dra. Elisabeth Meloni Vieira

Dissertação de Mestrado apresentada em 16/03/2012

No Brasil, os estudos sobre violência contra crianças, sobretudo a doméstica, ainda são insuficientes para o real dimensionamento do fenômeno. Neste país, como em outros, o problema tem provocado forte impacto na morbidade e mortalidade desta população e se constitui em um fenômeno de grande relevância para a saúde pública, em virtude de suas consequências. Essas não são apenas restritas à saúde física, mental e sexual da criança, mas também incluem problemas de dinâmica familiar, atingindo a sociedade como um todo. Esta dissertação busca caracterizar e dimensionar os casos de violência contra crianças, do nascimento aos nove anos, notificados no município de Ribeirão Preto-SP, no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2008. Trata-se de um estudo descritivo do tipo levantamento, que utiliza dados dos registros de violência contra a criança, oriundos dos vários serviços (saúde, educação, jurídico, etc.) do município, e inseridos, no banco de dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sistema VIVA). Foram realizadas análises descritivas, por meio dos cálculos das frequências absolutas e simples, bem como medidas de tendência central e de variabilidade. Totalizaram 498 notificações no período citado e o tipo mais notificado foi a violência física (59,2%), seguida pela psicológica (38,6%). A violência sexual e a negligência alcançaram percentuais de 36,7% e 19,7%, respectivamente. De um modo geral, o sexo feminino foi o que apresentou o maior percentual de notificações (56,4%), a faixa etária mais atingida foi entre dois e três anos de idade (26,5%). De acordo com as notificações, em 38,0% dos casos, as crianças não apresentaram lesões físicas visíveis, a região do corpo mais atingida foi a cabeça/face (11,6%), o meio de agressão mais utilizado foi a força corporal (25,1%). O local de ocorrência preferido para prática de violência contra a criança foi a residência (75,5%). A maioria dos agressores era do sexo masculino (64,8%). Entre as categorias de agressores, outros agressores e o pai alcançaram, respectivamente, 39,1% e 22,8% dos casos. Em 42,9% dos casos, a evolução foi ambulatorial e em 43,4% dos casos notificados foram encaminhados para os Conselhos Tutelares. A pesquisa mostra que há, entre os casos notificados, maior proporção de violência nos menores de seis anos de idade, as várias formas de violência, exceto a sexual, prevaleceram no sexo masculino, o tipo de violência mais frequente foi a física, as lesões corporais ocorreram em 55,5% dos casos, a maioria concentrando-se em outras partes do corpo, como: região digestiva, olho, ouvido, vagina, ânus e nádegas (33,1%). Há maior proporção de agressores masculinos, a residência foi o local preferido para a prática da violência contra a criança e a maior proporção de encaminhamentos foi para os Conselhos Tutelares.

IDENTIFICAÇÃO DE PAPÉIS OCUPACIONAIS E SINTOMAS DEPRESSIVOS EM IDOSOS

Claudia Aline Valente Santos

Orientador: Prof. Dr. Jair Lício Ferreira Santos

Dissertação de Mestrado apresentada em 23/03/2012

Acompanhando o processo de envelhecimento populacional no país, a freqüência de doenças crônicas tem aumentado, sendo comum a presença de comorbidades clínicas e a presença de sintomas depressivos. A tristeza e o afastamento de atividades cotidianas na velhice parecem ser aceitos socialmente, reforçando o preconceito contra as pessoas idosas. Objetivos: identificar a presença de sintomas depressivos e os papéis ocupacionais de idosos acompanhados em um Ambulatório de Triagem e Retornos Curtos de um hospital de nível terciário do interior paulista, e avaliar associações e possíveis interferências dos sintomas depressivos no desempenho de papéis ocupacionais. Materiais e Métodos: Para atingir os objetivos da pesquisa foram utilizados o Mini Exame do Estado Mental, a Escala de Depressão Geriátrica, versão abreviada, a Escala de Eventos Vitais e a Lista de Identificação de Papéis Ocupacionais. Os instrumentos foram aplicados a um total de 72 idosos atendidos no Ambulatório de Triagem e Retornos Curtos em Geriatria (GERI) do Hospital das Clínicas da FMRP- USP, sendo estes idosos distribuídos em dois grupos: 32 idosos com presença de sintomas depressivos e 40 Idosos sem sintomas depressivos. Todos os participantes efetuaram a leitura e concordância com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os resultados obtidos não identificaram associação entre sintomas depressivos e desempenho ocupacional de idosos. Ao que parece o envelhecimento traz inúmeras perdas, entre as quais, a perda de papéis ocupacionais de importância. Este trabalho pode instrumentalizar a realização de novas pesquisas

ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO DO DENGUE NO MUNICÍPIO DE RIBEIRÃO PRETO – SP

Lígia Maria Amadio Domingues

Orientador: Prof.Dr. Antonio Ruffino Netto

Dissertação de Mestrado apresentada em 13/04/2012

O presente estudo descreve a ocorrência de dengue no município de Ribeirão Preto, entre 1998 e 2008, analisando sua distribuição espaço-temporal e possíveis variáveis relacionadas à sua ocorrência. Foram utilizados os dados de casos autóctones de dengue notificados à Secretaria de Saúde do município e as incidências de dengue foram calculadas nas diferentes escalas de tempo. A infestação vetorial foi analisada através do índice de Breteau. Foi analisada a influência da precipitação e temperatura na ocorrência de dengue e de seu vetor. A espacialização do dengue e seu vetor foi realizada de acordo com a divisão utilizada pela vigilância epidemiológica. Também foram analisadas as incidências de dengue entre os sexos e faixas etárias. Observou-se que os meses de fevereiro a maio são os que apresentaram o maior número de casos e os meses de menor ocorrência foram agosto e setembro, sendo a sazonalidade da doença melhor representada utilizando-se períodos compreendidos entre setembro do primeiro ano e agosto do ano seguinte. O número de casos variou de 33, entre os anos de 2003 e 2004, a 6.155 entre os anos de 2005 e 2006. O período estudado pode ser dividido em dois grupos: anos endêmicos, de 1998 a 2000, de 2001 a 2005 e entre 2007 e 2008; e anos epidêmicos, entre 2000 e 2001, e entre 2005 e 2007. Verificou-se que os meses de julho e agosto foram os que apresentaram menores índices de infestação, enquanto que os meses de dezembro e janeiro apresentaram os maiores índices. Em média, 13% dos recipientes positivos encontrados eram vasos de planta, 19% de pratos para vasos de planta, e 23% de outros tipos de recipientes não classificados. O aumento das temperaturas e precipitações resultou no aumento da infestação vetorial, que por sua vez levou ao aumento na ocorrência de dengue. Os dados indicam correlação mais forte entre tais variáveis quando considerado um intervalo de 1 a 4 meses entre as mesmas. Em 2004 ocorreram poucos casos no município, enquanto de 2005 a 2007 a doença se espalhou por quase toda a cidade. Também foram encontradas larvas do vetor em todas as regiões e meses avaliados. A maior incidência de dengue ocorreu entre 30 e 59 anos de idade e a menor ocorreu entre as crianças menores de 9 anos e adultos com 80 anos ou mais. A incidência foi ligeiramente maior no sexo feminino. Assim, este trabalho poderá servir como subsídio para o combate ao vetor e o controle da doença

A ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA E AS INTERNAÇÕES POR CONDIÇÕES SENSÍVEIS À ATENÇÃO PRIMÁRIA

Amanda Cristina Alcantara Verceze Scarpellini

Orientador: Prof. Dr. Amaury Lelis Dal-Fabbro

Dissertação de Mestrado apresentada em 20/04/2012

O presente estudo avalia a sobrecarga de cuidadores primários de crianças com paralisia cerebral, caracterizando a população estudada e as variáveis que possam estar associadas com o aumento da sobrecarga dos cuidadores. Embora a criança com paralisia cerebral necessite de intenso suporte, os cuidados recaem sobre um membro da família que não está preparado para exercer a tarefa de cuidar. Este estudo contou com a participação de 31 cuidadores de crianças com paralisia cerebral com diferentes níveis de comprometimento motor, acompanhadas no Centro de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto- USP; crianças de ambos os sexos e idades entre 2 e 8 anos. Todos os cuidadores convidados aceitaram o convite em participar da pesquisa. Nesta amostra os cuidadores foram mães, tias e avós. Em apenas um dia os participantes respondiam às escalas: Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI) com roteiro semiestruturado acrescido de idade do cuidador e número de moradores no domicílio e Escala de Sobrecarga do Cuidador de Zarit (Burden Interview); além disso, a criança era classificada de acordo com seu comprometimento motor grosso pelo Sistema de Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS). Os dados da entrevista foram relacionados àqueles obtidos pelos instrumentos, no sentido de verificar possíveis associações entre a percepção de sobrecarga por parte do cuidador e variáveis centradas na criança e características próprias do cuidador. Constatou-se que todos os cuidadores eram do sexo feminino, a grande maioria eram as próprias mães sendo que a maior parte delas não trabalhava fora de casa. Desta forma a figura feminina deixa de lado a sua vida social e profissional para cuidar de sua criança. A média de sobrecarga foi classificada como moderada e não se encontrou associações significativas entre as variáveis. Os resultados podem mostrar a dificuldade das mães em reconhecer e assumir suas percepções de sobrecarga para cuidar dos problemas de sua criança.

INSEGURANÇA ALIMENTAR DOMICILIAR E ESTADO NUTRICIONAL DE CRIANÇAS DE CRECHES MUNICIPAIS DE RIBEIRÃO PRETO

Ana Paula Lara Michelin Sanches

Orientadora: Profª.Drª. Daniela Saes Sartorelli

Dissertação de Mestrado apresentada em 28/05/2012

Segurança Alimentar e Nutricional que é a garantia, a todos, de condições de acesso a alimentos básicos de qualidade, em quantidade suficiente, de modo permanente e sem comprometer outras necessidades essenciais, e o desrespeitado a este direito indica a insegurança alimentar. Para caracterizar a situação de insegurança alimentar das famílias e o estado nutricional de crianças menores de 5 anos de idade de creches no município de Ribeirão Preto-SP desenvolveu-se um estudo transversal e descritivo, com 344 crianças e suas famílias. A segurança alimentar das famílias foi avaliada com a Escala Brasileira de Segurança Alimentar e Nutricional (EBIA) e as famílias classificadas em situação de Segurança Alimentar (SA) e Insegurança Alimentar Leve (IAL), Moderada (IAM) e Grave (IAG). Aplicou-se uma entrevista com os pais para coleta de variáveis sócio-econômicas e demográficas com um questionário estruturado. A antropometria foi realizada nas creches e os índices Peso/Idade (P/I), Peso/Estatura (P/E), Estatura/Idade (E/I) e IMC/Idade (IMC/I) calculados segundo padrão da Organização Mundial da Saúde (2006). Para a classificação do estado nutricional adotou-se os pontos de corte do SISVAN (Ministério da Saúde). Foram calculadas medidas de prevalências e verificou-se associação entre as variáveis do estudo pelo teste qui-quadrado. Identificou-se que a SA estava presente em 45,7% das famílias, enquanto que a IAL, IAM e IAG foram encontradas em 42,4%, 7,85% e 4,07% das famílias, respectivamente. A análise dos dados sócio-econômicos apontou maior proporção de mães com ensino fundamental e de pais que não moram com a família entre aquelas com IA. Verificou-se proporção maior de residência inacabada, menor número de cômodos, maior número de moradores no domicílio, vinculo com programas sociais e menor renda per capita entre as famílias em situação de IA (p<0,05). Não se observou diferenças entre as prevalências de desvios nutricionais e a condição de SA das famílias. Entretanto, observou-se prevalência de 9,3% de baixa estatura, 2,3% de baixo peso pelo índice no P/I e 1,5% de magreza segundo P/E e IMC/I. O excesso de peso segundo P/I foi encontrado em 11,0% das crianças. Os índices IMC/I e P/E indicaram prevalências de 8,7% e 7,3% de crianças acima de +2 escoreZ, 2,9% e 2,3% acima de +3 escoreZ, respectivamente. A situação de insegurança alimentar é prevalente na população estudada, sobretudo entre as famílias com pior condição socioeconômica. Foi observado que o excesso de peso é o principal problema nutricional nesta população infantil. Novos estudos são necessários para o melhor conhecimento das características que condicionam a insegurança alimentar e o estado nutricional desta população visando a elaboração de estratégias de enfrentamento desta situação.

FATORES DE RISCO CARDIOVASCULAR EM ADOLESCENTES ESTUDANTES DA REDE PÚBLICA DE ENSINO DE BRODOWSKI-SP

Valdelice Maria Gonçalves

Orientador: Prof.Dr. Laércio Joel Franco

Dissertação de Mestrado apresentada em 01/06/2012

Introdução: As alterações metabólicas associadas ao sistema cardiovascular, em especial a doença arterial coronariana (DAC) secundária à aterosclerose, constituem as principais causas de morbidade e mortalidade no mundo. De forma semelhante ao que ocorre em adultos, os fatores de risco cardiovascular estão presentes em crianças e adolescentes como a obesidade, a obesidade abdominal e a hipertensão arterial. Objetivo: Estudar a presença de algumas variáveis consideradas fatores de risco cardiovascular em adolescentes, matriculados em rede publica de ensino de Brodowski-SP. Metodologia: Foi realizado um estudo transversal com 668 escolares de 10 a 16 anos da rede pública municipal de ensino de Brodowski-SP. Dados de antropometria foram coletados (peso, altura e circunferência da cintura).Os adolescentes foram avaliados de acordo com seu estado nutricional segundo os escores IMC para a idade, a composição corporal foi avaliada pela bioimpedância, a pressão arterial foi avaliada por aparelho automático. Os dados foram analisados por meio do Teste Exato de Fisher e Regressão Logística (Odds Ratio Bruto e Ajustada). Resultados: A faixa etária predominante foi de 11 a 13 anos de idade. Os dados sobre sobrepeso e obesidade foram alarmantes e perfazem um total de 32,3% de adolescentes com excesso de peso, sendo 22,6% dos adolescentes com sobrepeso e 9,7% com obesidade. Dos alunos avaliados, 26 (3,9%) foram classificados como hipertensos e 116 (17,4%) como pré-hipertensos; no total foram encontrados 142 (21,3%) escolares com pressão arterial elevada. O excesso de gordura corporal pela bioimpedância foi evidenciado em 26,6% dos escolares e 20,7% dos escolares apresentaram obesidade abdominal. O modelo de regressão logística (Odds Ratio ajustada) mostrou significativa associação entre a faixa etária (alunos entre 14 a 16 anos), presença de obesidade abdominal, presença de excesso de peso, escolaridade materna com a alteração da pressão arterial. Conclusão: As prevalências encontradas de excesso de peso, pressão arterial alterada, excesso de gordura corporal e obesidade abdominal foram relevantes na população estudada, e associação entre pressão arterial elevada e indicadores de adiposidade foram evidenciadas. São necessárias dessa forma intervenções que tenham por objetivo o controle e prevenção dessas condições consideradas fatores de risco cardiovascular.

INTEGRAÇÃO INFORMAÇÕES E ANÁLISE PARA PACIENTES VÍTIMA DE TRAUMA NA UNIDADE DE EMERGÊNCIA DO HCFMRP

Eduardo Alexandre Gula

Orientador: Prof. Dr. Domingos Alves

Dissertação de Mestrado apresentada em 04/06/2012

Integração de informações e análise epidemiológica para pacientes vítimas de trauma na Unidade de Emergência do HCFMRP. Desde 1980 observa-se um crescente registro de ocorrências de causas externas no Brasil, que passaram a ocupar o segundo lugar dentre as causas de morte em grandes centros urbanos, superando as neoplasias. Foram analisados os dados de pacientes vítimas de trauma com internação na Unidade de Emergência do HCFMRP, em Ribeirão Preto (SP) entre 2006 e 2009. Foi realizada uma análise descritiva, envolvendo informações sobre o evento traumático, índices de gravidade RTS, ISS e TRISS, provenientes do software IntegraVep, de uso do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do HCFMRP, além de quantificações de exames laboratoriais e radiológicos demandados aos referidos pacientes, com o intuito de analisar as características e evolução dos pacientes. Foi possível observar a alta quantia de exames radiológicos e laboratoriais solicitados para pacientes com lesões leves além da distribuição dos pacientes quanto a faixa etária, sexo, mecanismos de trauma e gravidade de lesão. A utilização de um software específico para análise dos dados existentes no banco de dados do HCRP se mostrou adequada ao ser usado para os pacientes vítimas de trauma, podendo ser expandido para os demais setores do hospital.

AVALIAÇÃO DA CONFIABILIDADE DO QUESTIONÁRIO PARA DIAGNÓSTICO COMPARTILHADO DA ATENÇÃO BÁSICA EM UNIDADES DE SAÚDE DA FAMÍLIA DE RIBEIRÃO PRETO – SP

Fábio Franchi Quagliato

Orientador: Prof. Dr. Antonio Ruffino Netto

Dissertação de Mestrado apresentada em 04/06/2012

A Estratégia de Saúde da Família (ESF) é um modelo de organização dos serviços de Atenção Básica à Saúde peculiar do Sistema Único de Saúde brasileiro (SUS), baseado em equipes multiprofissionais. O desenvolvimento de métodos de avaliação do funcionamento das equipes de Saúde da Família ajudaria a caracterizar tanto o potencial como as contribuições reais dos trabalhadores e facilitaria a avaliação da efetividade e eficiência dos serviços. O “Questionário para Diagnóstico Compartilhado” é um instrumento utilizado para apoiar a equipe na realização de um diagnóstico ampliado do contexto sanitário em que está inserida e de sua capacidade de intervenção, por meio da cogestão e da autoavaliação. O objetivo dessa pesquisa foi avaliar a confiabilidade do Questionário para Diagnóstico Compartilhado. Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, comparação de métodos diagnósticos. O questionário foi aplicado por dois entrevistadores nas Unidades de Saúde da Família de Ribeirão Preto (SP) que concordaram em participar do projeto. Após a aplicação, utilizando-se o coeficiente Kappa, a concordância das respostas obtidas pelos entrevistadores foi avaliada. Foram entrevistadas 20 equipes de Saúde da Família, totalizando 151 profissionais ligados à estratégia. Todas as questões com respostas categóricas apresentaram Kappa simples e Kappa ponderado acima de 0,8, exceto a questão 68, à qual nenhum profissional respondeu. Todas as questões dicotômicas apresentaram concordância entre as respostas dos entrevistadores. Com relação às questões abertas, houve concordância entre as respostas dos entrevistadores em todas as questões, apresentando o mesmo conteúdo. Os resultados encontrados indicam uma concordância quase perfeita entre os entrevistadores, revelando a alta confiabilidade do questionário. O questionário apresentou adequada confiabilidade, porém é necessário avaliar a sua validade e reprodutibilidade. A análise das respostas permitiu caracterizar alguns obstáculos enfrentados pelas equipes de Saúde da Família de Ribeirão Preto, como a demanda excessiva, estrutura urbana com poucos recursos e potencialidades, falta de infra-estrutura das unidades e falta de conhecimento dos  profissionais quanto ao financiamento.

PREDIÇÃO DO NÚMERO MENSAL DE CASOS DE DENGUE POR MODELOS DE SÉRIES TEMPORAIS

Elisângela Aparecida da Silva Lizzi

Orientador: Prof. Dr. Edson Zangiacomi Martinez

Dissertação de Mestrado apresentada em 22/06/2012

Introdução: A dengue é uma doença infecciosa causada por um arbovírus relatada em regiões tropicais e subtropicais. Os maiores números de casos costumam ocorrer nos períodos quentes e chuvosos do ano, que favorecem as condições para o desenvolvimento do vetor da doença, o mosquito Aedes aegypti. Modelos estatísticos podem ser úteis para a compreensão das variações mensais dos números de casos registrados da doença e podem trazer razoáveis predições dos números mensais de casos em um período subsequente a uma série temporal estudada. Métodos: Esta dissertação trata de um estudo ecológico com componente de série temporal. Foram usados registros mensais de casos confirmados de dengue, entre os anos de 1998 a 2008, obtidos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), de dois municípios do interior paulista (Ribeirão Preto e Campinas). Modelos estatísticos de séries temporais foram utilizados para descrever o comportamento das séries de dados e predizer o número esperado de casos da doença em um período subsequente. Utilizou-se modelos de Box & Jenkins, ou seja, o modelo SARIMA (Seasonal Autoregressive Integrated Moving Average) com extensões (modelo SARIMAX) que permitem incorporar covariáveis como as temperaturas máxima, média e mínima e a precipitação média a cada mês. Utilizou-se o critério de Akaike (AIC) para a comparação entre diferentes especificações dos modelos. A partir dos modelos ajustados aos dados, foram obtidas predições mensais para o ano de 2009, sendo estas comparadas com os valores observados. Resultados: Sem considerar a inclusão de covariáveis, o melhor modelo para os dados de Campinas foi o SARIMA(2,1,2)(1,1,1)12 , e para os dados de Ribeirão Preto o melhor foi o SARIMA(2,1,3)(1,1,1)12 (modelos com menores valores de AIC). Ao incorporar nos modelos as variáveis climáticas, observou-se um melhor ajuste para o município de Campinas, o modelo SARIMAX(1,1,1)(1,1,1)12 que inclui a precipitação observada nos 2 meses antecedentes às ocorrências mensais de casos de dengue e a temperatura mínima registrada nos 3 meses antecedentes. No município de Ribeirão Preto, o modelo que se mostrou mais adequado aos dados foi o SARIMAX(1,1,1)(0,1,1)12 que inclui precipitação observada nos 3 meses antecedentes às ocorrências mensais de casos de dengue e a temperatura mínima registrada em um mês anterior. As predições mensais obtidas para o ano de 2009 mostraram-se razoavelmente próximas àquelas observadas, em ambos municípios. Conclusões: Os resultados do presente estudo, em adição a resultados da literatura, evidenciam que os números de componentes autorregressivos e de média móvel adequados ao ajustes de modelos SARIMA variam de uma população a outra, sugerindo diferentes padrões temporais da doença de acordo com características locais. Comparações entre valores preditos e observados sugerem que os modelos SARIMA são ferramentas úteis para predição do número de casos de dengue. Sugere-se que os modelos utilizados nesta dissertação sejam utilizados por serviços municipais de saúde para a vigilância da doença, o que pode trazer benefícios em programas de prevenção e planejamentos de serviços públicos.

PERFIS DE MORBIDADE NOS DIFERENTES TERRITÓRIOS DE ADSCRIÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

Lara Marina Almeida E Fonseca

Orientadora: Profª Drª Maria do Carmo Gullaci Guimarães Caccia-Bava

Dissertação de Mestrado apresentada em 06/08/2012

A Atenção Básica (AB), através da Estratégia Saúde da Família (ESF), caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento. A AB fundamenta-se em quatro atributos essenciais: atenção ao primeiro contato, coordenação do cuidado, integralidade e longitudinalidade, que operados, possibilitam o acesso, a produção do cuidado e a identificação do perfil da população do território de adscrição. Considerando que dentro do território municipal encontram-se grupos heterogêneos, com perfis e necessidades particulares, traçar as características sociais e as singularidades do adoecer dos territórios de adscrição das ESF pode permitir adequar os serviços da equipe a essas necessidades. O objetivo do presente trabalho epidemiológico, é caracterizar, através do perfil de morbidade e sócio demográfico, os grupos cadastrados nas diferentes equipes e territórios de implantação da Estratégia Saúde da Família, tendo como campo de estudo o município de Patrocínio/MG. Nele existem 16 equipes da ESF, das quais três localizam-se na área central, uma na área rural e 12 na região periférica da cidade (três estratos). A fonte de dados foi os prontuários de pacientes usuário destas unidades assistenciais. Após calculado o tamanho amostral em 596 prontuários, o processo de amostragem ocorreu em múltiplas etapas. Foi feita uma amostragem estratificada das ESF com partilha proporcional entre os estratos, e dentro de cada ESF feita uma amostragem sistemática dos prontuários familiares. Um sorteio casual simples permitiu que fosse selecionado um indivíduo daquela família. Nos prontuários foram coletados os seguintes dados: idade, sexo, ocupação, escolaridade e diagnósticos referentes a última consulta médica realizada no ano de 2010. As variáveis foram transferidas para um banco de dados e descritas posteriormente. Os 564 prontuários analisados, trouxeram os seguintes resultados: na região periférica predominaram mulheres, na faixa etária de 40 a 60, maioria alfabetizadas (82%), com ocupações consideradas fora da População Economicamente Ativa (PEA) e uma maior frequência das doenças do aparelho circulatório (18%). Na região central predominaram as mulheres, na faixa etária dos 20 a 40, pessoas alfabetizadas (92%), aposentados e doenças do aparelho circulatório. Na região rural houve maior prevalência de mulheres, idosos, alfabetizados (94%), fora da PEA e as doenças do aparelho circulatório também prevaleceram. Apesar das regiões apresentarem características parecidas, os achados posteriores de idades, ocupações e morbidades foram diferentes, o que confirma a ideia de diferenças regionais dentro de um mesmo município. Os resultados podem servir de instrumento para um melhor planejamento direcionado das ações em saúde.

O EFEITO DO EXERCÍCIO FÍSICO NA CAPACIDADE FUNCIONAL, MARCHA, EQUILÍBRIO E QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES COM DOENÇA DE ALZHEIMER

Fabricia Mabelle Silva

Orientador: Prof. Dr. Jair Lício Ferreira Santos

Dissertação de Mestrado apresentada em 17/09/2012

O fenômeno do envelhecimento populacional tem sido observado em todo o mundo e traz consigo o aumento da prevalência das demências destacando-se como mais frequente a Doença de Alzheimer (DA). O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito de um programa de exercícios físicos na capacidade funcional e qualidade de vida de pacientes com Doença de Alzheimer residentes em instituições asilares privadas do município de Ribeirão Preto. A amostra foi constituída de 34 sujeitos com DA diagnosticada de acordo com os critérios CID-10 e no DSM-IV, sendo que 17 pacientes fizeram parte do Grupo Experimental, que participaram de programa de exercícios físicos com duração de 10 semanas. Cada sessão tinha duração de uma hora, sendo dividido em quatro fases: aquecimento, exercício aeróbico (dança), exercícios resistidos, alongamento/relaxamento. O grupo controle foi formado por 17 pacientes que participaram de rodas de canto com a mesma frequência e duração das sessões de exercícios. Antes de iniciar as intervenções e após a conclusão das mesmas, foram aplicados nos dois grupos o Índice de Barthel e a bateria de testes da AAHPERD para avaliar capacidade funcional e a escala de qualidade de vida para pacientes com doença de Alzheimer proposta por Logsdon. Os dados foram avaliados por meio do modelo linear de efeitos mistos (efeitos aleatórios e fixos). Em relação à Qualidade de Vida do paciente na visão do cuidador observamos evidência de melhora somente no grupo experimental (p<0,05), no que diz respeito à Qualidade de Vida na Visão do paciente sobre ele mesmo e à Qualidade de Vida Total, não observamos evidência de melhoras em nenhum dos grupos. O grupo experimental apresentou evidência de melhoras em todos os domínios da capacidade funcional: Coordenação ((p<0,001,),Resistência e Força (p<0,001), Agilidade (p<0,001), Flexibilidade (p<0,001) e Resistência Aeróbica Geral (p<0,001), o mesmo não pôde ser observado no grupo controle. Conclui-se portanto, que a prática de exercícios físicos aos idosos com Doença de Alzheimer, deve ser incentivada pois auxiliará na manutenção e melhora da capacidade funcional dessa população.

ESTUDO DA OCORRÊNCIA DA HEPATITE C NO AMBULATÓRIO DE HEPATITES VIRAIS DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FMRP-USP
Raquel Mancini de Moraes Soares
Orientador: Prof. Dr. Afonso Dinis Costa Passos
Dissertação de Mestrado apresentada em 21/09/2012
Foram estudados 151 doadores de sangue encaminhados pelo Hemocentro de Ribeirão Preto ao Ambulatório de Hepatites do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto em função de terem apresentado resultados foram positivos para hepatite C nos testes de triagem pré-doação, entre 2001 e 2010. Todos tiveram confirmação diagnóstica mediante uso de técnicas de biologia molecular. No momento de chegada ao Hospital foram entrevistados por uma assistente social ligada ao Núcleo Hospitalar de Epidemiologia, com o objetivo de caracterizá-los segundo variáveis sociodemográficas, estudar fatores de risco presentes e genótipos encontrados. Houve predominância de indivíduos do sexo masculino, com baixos níveis de escolaridade e de estratos sociais menos favorecidos, com idade mediana de 36 anos. Observou-se uma tendência decrescente de infectados ao longo dos anos estudados. O genótipo mais prevalente foi o 1 com percentual de 68,8%, seguido do genótipo 3 (27,0%). Os potenciais fatores de risco mais prevalentes foram história pregressa de hospitalização sem e com cirurgia, multiplicidade de parceiros sexuais no passado, convivência com usuários de drogas, contato com sangue em atendimentos a terceiros, múltiplos parceiros sexuais no presente e contato domiciliar com casos de hepatite. Também com elevadas frequências foram observados os seguintes fatores: antecedente de transfusão sanguínea, uso coletivo de escova de dentes, história de contato sexual com usuários de drogas, frequência a creches na infância e tatuagem. Uso passado de drogas injetáveis e compartilhamento de seringas e agulhas foram relatados por 15,2% e 9,9%, respectivamente. Conclui-se que deve ter ocorrido omissão de inúmeros fatores de risco por ocasião da triagem clínica, possivelmente indicativo do desejo de se utilizar o Banco de Sangue como controle da situação sorológica por parte de parte dos doadores.
PERFIL DO CUIDADOR DOMICILIAR DE IDOSO NO MUNICÍPIO DE TAQUARITINGA-SP
Fatima Terezinha Balsani Caetano
Orientador: Prof. Dr. Laercio Joel Franco
Dissertação de Mestrado apresentada em 26/09/2012
Previsões da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que entre os anos de 2006 e 2030, o número de pessoas idosas nos países de baixa e média renda está projetado para aumentar em 140% em relação ao aumento nos países de renda alta que será de 51% e, pela primeira vez na história, em 2050 haverá mais idosos do que crianças (0 14 anos), configurando-se um novo panorama demográfico. A assistência à saúde do idoso, em conjunto com a prevenção de doenças crônicas e degenerativas, e o preparo adequado de quem presta cuidado são imprescindíveis para a manutenção da autonomia e qualidade de vida do idoso. O presente estudo foi realizado com 113 cuidadores não familiares de idosos, que prestam cuidado no âmbito domiciliar, residentes na zona urbana do município de Taquaritinga (SP). Teve como objetivo identificar o perfil dos cuidadores na prestação de cuidados domiciliares, bem como suas principais dificuldades, responsabilidades e tarefas assumidas, perante o paciente e a família, no ato de cuidar. Foram aplicados questionários, contendo perguntas abertas e fechadas, a 113 cuidadores, em locais diferentes de onde exerciam a função, após contato prévio, no período de julho a setembro de 2011. Os cuidadores eram predominantemente do sexo feminino (85%), casados ou viviam em união consensual (57.5%), na faixa etária de 19 a 59 anos (90,3%); em menor proporção apareceu a população de cuidadores idosos (9,7%). Entre os cuidadores do sexo masculino, predominaram os na faixa etária de 19 a 59 anos (94,1%). Quanto à escolaridade referida pelos cuidadores, 24,8% possuíam apenas o nível fundamental, 21,2% o nível médio, 31% o nível técnico, 6,2% o nível superior e 16,8% sem escolaridade. Os profissionais de enfermagem constituíram 35% dos cuidadores, e somente um cuidador se auto avaliou como bem preparado. A profissão de cuidador não foi a principal atividade para 77% dos entrevistados, que exerciam outras atividades. Declararam não possuir qualificação para o exercício da função, 87,6% dos entrevistados e 45% referiram pouco preparo. Embora 94,7% dos cuidadores declarem ser capazes de cuidar, todos referiram possuir dificuldades e necessidade de um apoio profissional, independentemente do nível de escolaridade, formação profissional, ou nível de dependência do idoso. A família do idoso não auxilia no trabalho do cuidador em 35% dos casos, e frequentemente (55%) delega serviços domésticos ou externos para serem realizados além do ato de cuidar. A carga horária de trabalho semanal é superior a 30 horas e a grande maioria não possui vínculo empregatício formal; 33% dos cuidadores referiram que raramente são remunerados. Os resultados evidenciam a necessidade de um olhar diferenciado a esses profissionais, principalmente na elaboração de políticas públicas, sociais e de saúde voltadas à formação de recursos humanos para este fim, para manter uma pessoa idosa saudável ou minimizar seu grau de dependência.
INFLUÊNCIA DA QUALIDADE DE VIDA NO CONTROLE GLICÊMICO EM PACIENTES COM DIABETES MELLITUS TIPO 2
Simara Maria Barboza
Orientador: Prof. Dr. Laercio Joel Franco
Dissertação de Mestrado apresentada em 28/09/2012
Estudo caso-controle realizado no Centro de Saúde Escola (FMRP USP) em Ribeirão Preto SP, no período de 2010 a 2012. O objetivo do estudo foi comparar a qualidade vida geral de dois grupos de pessoas com diabetes mellitus (DM) tipo 2: um com controle glicêmico satisfatório e outro com controle glicêmico insatisfatório. A hipótese a ser testada foi que uma boa qualidade de vida está associada a um melhor controle glicêmico nesses indivíduos. A amostra foi constituída por 90 usuários, sendo 30 casos e 60 controles, com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2. Foi considerado caso o paciente com o diabetes mellitus com controle glicêmico satisfatório e controle o paciente com controle glicêmico insatisfatório, avaliado por meio do resultado da hemoglobina glicada (A1c), realizada nos quatro meses anteriores à entrevista. Para a coleta de dados foram utilizados três questionários: o WHOQOL BREF, o Teste de Morisky e Green e outro sobre condições sócio-demográficas e clínicas. Para a análise utilizou-se estatística descritiva e o Teste de Wilcoxon; considerou-se um nível de significância de 0,05 para todas as análises. Os resultados mostraram que a maioria dos entrevistados era do sexo feminino (78,8%), com idade média de 61 anos. Em relação à qualidade de vida, a proporção de controles que se auto-avaliam como satisfeitos foi maior do que nos casos e quanto ao grau de satisfação com a saúde, entre os mais satisfeitos também estão os controles, porém sem diferença estatística significante. Quando se comparou os resultados de cada domínio do WHOQOL-BREF entre os grupos caso e controle, pode-se observar que os dois grupos têm uma baixa satisfação da qualidade de vida no domínio psicológico (51,2 e 50,9), seguido do domínio físico (58,4 e 56,8); os domínios das relações sociais (86,9 e 78,8) e meio ambiente (69,2 e 64,0) foram os que mais se associaram positivamente à qualidade de vida dos entrevistados. As diferenças não apresentaram significância estatística entre os casos e controles nos domínios físico (p = 0,578) e psicológico (p = 0,948) e houve diferença estatística significante entre os grupos nos domínios relações pessoais (p = 0,045) e meio ambiente (p = 0,039). De acordo com o Teste de Morisky e Green, os dois grupos foram classificados como menos aderente, e a diferença entre os grupos não foi estatisticamente significante (p = 0,878). Os dados obtidos, no presente estudo, apontam que os aspectos ligados às relações sociais e ao meio ambiente devem ser priorizados nas atividades educativas que visem a melhoria do controle glicêmico dos indivíduos com diabetes mellitus.
FATORES ASSOCIADOS À PROCURA POR SERVIÇOS DE SAÚDE: DIFERENÇAS ENTRE MULHERES E HOMENS

Cleice Daiana Levorato

Orientador: Prof.Dr. Altacilio Aparecido Nunes

Dissertação de Mestrado apresentada em 19/10/2012

Introdução: Os valores da cultura masculina envolvem comportamentos de risco à saúde, sendo que a forma como os homens constroem e vivenciam a sua masculinidade torna-se uma das matrizes masculinas dos modos de adoecer e morrer. Objetivos: Considerando-se a relevância para o planejamento de políticas de saúde, este estudo abarcou, enquanto objetivo geral: Descrever e analisar os fatores associados à procura dos serviços de saúde por pessoas do sexo masculino e sexo feminino. Os objetivos específicos visaram: Descrever o perfil sócio-demográfico e clínico-epidemiológico de homens e mulheres que procuram os serviços de saúde nos níveis de complexidade primário e secundário; Descrever variáveis relacionadas à procura e aderência aos serviços de saúde entre homens e mulheres e entre os níveis de complexidade primário e secundário; Comparar a procura e aderência aos serviços de saúde entre homens e mulheres considerando-se os níveis de complexidade primário e secundário; Caracterizar os serviços de saúde que apresentam aspectos considerados adequados relacionados à procura e aderência entre o sexo masculino e o feminino. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, no qual se utilizou roteiro estruturado de entrevista, aplicado mediante seleção aleatória de homens e mulheres que se encontravam, no momento da coleta de dados, nos seguintes serviços de saúde do município de Ribeirão Preto: Núcleos de Saúde da Família I e IV da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, além de ambulatórios e enfermarias clínicas e cirúrgicas do Hospital Estadual de Ribeirão Preto. As variáveis dependentes deste estudo foram: o sexo do usuário (considerado como indicador cultural) e a procura pelo serviço de saúde (considerada como indicador do uso de serviços de saúde). As variáveis independentes do estudo incluíram: características sócio-demográficas e clínico-epidemiológicas. A amostra do estudo foi composta por 320 pessoas. Para a análise de associação entre variáveis empregou-se a Razão de Prevalência e seu Intervalo de Confiança a 95%. Resultados: Os resultados sugerem como fatores de risco para a não procura: ser do sexo masculino, o horário de funcionamento das unidades de saúde versus o horário de trabalho do usuário e a referência de não possuir nenhuma doença. Em contrapartida, os fatores de proteção contra a não procura, ou seja, de favorecimento da procura foram: ser usuário de Unidades com Equipe de Saúde da Família, ser do sexo feminino e do lar, estar situado na faixa etária de 50 a 65 anos, possuir domicílio próprio, juntamente, com uma renda individual e familiar maior que quatro salários mínimos, ser aposentado/pensionista, comparecer aos retornos e ser acompanhante de algum familiar ou outros aos serviços de saúde. Conclusão: É relevante a efetiva consolidação de um modelo de atenção à saúde que questione a contradição existente entre os dados epidemiológicos quanto à saúde masculina e a posição dos serviços de saúde de permanecerem no senso comum da invulnerabilidade dos homens ao adoecimento.

PREVALÊNCIA DE EXCESSO DE PESO EM ADULTOS SEGUNDO A PERCEPÇÃO DO AMBIENTE PARA A PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA EM UM MUNICÍPIO PAULISTA DE PEQUENO PORTE

Marília Augusta Sousa Nascimento
Orientadora: Profa. Dra. Daniela Saes Sartorelli
Dissertação de Mestrado apresentada em 06/11/2012

O objetivo do presente estudo foi investigar a relação entre a prevalência de obesidade e percepção do ambiente para a prática de atividades físicas em adultos de Itirapuã – SP. Desenvolveu-se um estudo do tipo transversal de base populacional com 216 adultos. Dados sócio demográficos e comportamentais foram obtidos por meio de um questionário estruturado. A percepção do ambiente para a prática de atividade física foi avaliada por meio de um questionário estruturado adaptado da Neighborhood Environmental Walkability Scale (NEWS), previamente validado para a população brasileira. As prevalências de excesso de peso e obesidade (IC 95%) foram estimadas. Para avaliar a associação entre o excesso de peso (sobrepeso e obesidade) e a percepção do ambiente para a prática de atividade física foram empregados modelos de regressão logística bivariados e ajustados por sexo e idade. Dentre os 216 adultos avaliados, 55% eram do sexo feminino e a média de idade foi de 37 (12) anos. Elevada proporção de sobrepeso (31%) e obesidade (25, 5%) foi observada. Em modelos de regressão ajustados por sexo e idade, verificou-se que os indivíduos que residiam em locais mais distantes de escolas de ensino fundamental [OR 1, 99 (IC95% 1,13; 3, 47)], locadoras de filmes [OR 2, 33 (IC95% 1, 29; 4, 19)] e praças ou locais ao ar livre onde pudessem praticar atividade física [OR 2, 05 (IC95% 1,15; 3, 66)] apresentaram maior chance de ocorrência de excesso de peso. Quanto ao nível de satisfação com o bairro, observou-se que a satisfação com a qualidade e quantidade de supermercados no bairro de residência estava inversamente associada à ocorrência de excesso de peso [OR 0, 14 (IC95% 0, 03; 0, 69)]. Os dados sugerem que os adultos residentes em municípios de pequeno porte também são influenciados pelo ambiente para a prática de atividade física e que este está associado à ocorrência do excesso de peso.